Título: Orgulho e Preconceito
Autora: Jane Austen
Tradutor: Roberto Leal Ferreira
Projeto Gráfico: José Duarte T. de Castro
Editora: Martin Claret
Ano: 2012
Nº de Páginas: 235
Livro Físico
Livro Físico
Classificação Ansiosa❤❤❤❤❤
O que mais me fisgou nessa história do século XIX foi a grande semelhança com o cenário da nossa sociedade atual e minha pessoal empatia com a personalidade da personagem principal: Elizabeth Bennet. Num meio em que frivolidades e futilidades eram as principais características circundantes do universo feminino, Elizabeth, ou apenas Lizzy, destaca-se por enaltecer características como inteligência, sagacidade e personalidade forte – indo ao encontro das principais características das outras moças e dos valores e cultura da sua época. Entre sacarmos, ironias e outras amostras de sua real capacidade intelectual, ela conquista o coração de um jovem rapaz que tem no orgulho e na arrogância as suas principais armas de defesa. Entretanto, o mais impressionante deste romance, não é a história de amor entre dois jovens apaixonados, mas como eles lidam com isso, que revela uma sociedade plasmada por valores morais e financeiros. Estes quase sempre voltados a eles, aqueles a elas.
A
narrativa se passa em torno do dia-a-dia da família de Elizabeth, os Bennet, e
da região onde moram – uma cidade fictícia chamada Meryton, não muito distante
de Londres. A garota é a segunda filha de uma família de cinco mulheres e é a
única que não passa o dia pensando em casamento, no que isso também inclui,
principalmente, sua mãe. Entretanto, esse comportamento não indica que Lizzy é
desprovida de sentimentos (de forma alguma!), esta, apenas, não vê o matrimônio
como os outros: um acordo social que, entre outras coisas, proporciona status.
Para a jovem, antes de qualquer interesse financeiro e social, um casamento
deve ser construído com base em um afeto sincero, através de um amor
maduro e com harmonia entre as personalidades dos indivíduos. Outra personagem que
também merece destaque é a mãe das meninas, Mrs. Bennet, que apesar da
possibilidade de dar náuseas em muita gente por ela passar quase 24h do dia
articulando casamentos para as cinco filhas, é vítima do julgamento da elite da
região, sendo vista como inoportuna, inconveniente e mal-educada, sendo este julgamento
também estendido às meninas na forma de preconceito (ótimo momento pra pensar
no porquê isso acontece).
Porém,
não seria inteligente, de toda maneira, criar uma imagem total negativa da
senhora Bennet, isso porque, na época, as mulheres não herdavam as propriedades
de seus pais - mesmo sendo as únicas herdeiras -, mas sim seus maridos, e na
falta, qualquer homem da família – primos distantes, por exemplo - o que a
deixava preocupada sobre o futuro das suas filhas.
De
forma geral, o romance é regado de expressões como "Ela é tolerável, mas
não bonita o suficiente para tentar-me!" e “As nossas filhas são muito
bonitas”. O que revela um cenário social em que a beleza feminina é um fator
determinante quanto às escolhas, refletidas na configuração social da época. Ou
seja, uma característica subjetiva é transformada em objetiva e universal, e o
que é pior, com poder material. Nesse
contexto, Naomi Wolff diz em seu livro O Mito da Beleza que o “o mito da beleza, na realidade ,sempre determina o comportamento, não a aparência”, uma vez que “um
comportamento que seja essencial por motivos econômicos é transformado em
virtude social". E Yuval Harari, no livro Sapiens, maximiza uma triste
realidade: “em quase todos os lugares os homens foram privilegiados, pelo menos
desde a revolução agrícola”.
Jane Austen foi mais uma - fantástica, por sinal – autora
a retratar a realidade da inferioridade feminina e como isso afeta a relação
das mulheres para com elas mesmas, refletidas em suas atitudes. 200 anos mais
tarde e o que mudou quanto a hierarquia do gênero? “As mulheres precisam
competir de forma antinatural por recursos dos quais os homens se apropriaram”,
diz Wolff, e não veem que o que as influencia a buscar um ideal de beleza é uma
forma reacionária masculina por todas as vezes que elas se libertaram
materialmente. E o que é pior, tanto no século XIX quanto no século XXI, a
busca da identidade feminina é também uma busca de uma “figura bela”, fazendo
com que as mulheres, ainda nas palavras de Naomi, “permaneçam vulneráveis à aprovação
externa, trazendo nosso amor-próprio, esse órgão sensível e vital, exposto a
todos”. Sendo assim, a “beleza” ainda é usada como nossa principal arma, resta
saber se esta pode estar sendo apontada para nós mesmas.
E vocês, o que acham? Concordam com a minha impressão ou descordam totalmente? Comentem para a gente bater um papo ;)
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