Título: Pollyanna | Autor: Eleanor H. Porter | Tradutor: Monteiro Lobato | Editora: Companhia Editora Nacional | Ano: 1985 | Nº de Páginas: 184| Livro Físico
CLASSIFICAÇÃO ANSIOSA: ❤❤❤❤❤
Começo logo falando que eu
sou suspeita de falar sobre o livro em questão. Como dá para perceber, meu
nome, com todos esses “eles”, “ípsilon” e “enes”, saiu desse livro. Tenho uma
ligação afetiva com ele, que não me deixa ser nada imparcial nessa impressão
literária. Mas, afetividades à parte, se você ainda acreditar na minha humilde
opinião, continuemos, pois Pollyanna
tem muito a nos ensinar. Confesso que não é um baita livrão, mas, apesar de
simples, ele nos traz uma positividade na forma como podemos ver o mundo. Não
só pelo otimismo tão famoso que o jogo do contente transparece, mas também por
mostrar o poder de transformação que exercemos uns nas vidas dos outros.
O livro nos conta a
história de Pollyanna. Com apenas 11 anos, a menina já passou por muitos
percalços, no entanto, sem nunca perder a alegria de viver e sem deixar de
jogar o jogo do contente que seu pai lhe ensinou. Órfã de mãe e pai, Pollyanna
acaba caindo nas mãos de sua tia, Miss Polly Harrington. Miss Polly, apesar
jovem, linda e rica, é amarga e infeliz. Esconde um segredo de um amor mal
resolvido e Pollyanna só sossegará quando descobrir o tal mistério, com a
determinação de fazer sua tia jogar o jogo, no qual ela já é craque há muito
tempo.
O jogo do contente começou
quando em vez de receber uma boneca de presente de natal, Pollyanna recebeu
muletas. Seu pai era missionário e tudo o que tinham vinha de doações, logo em
vez de bonecas, Pollyanna acabou recebendo muletas. A menina, como é de se
esperar, ficou triste. Mas, então, seu pai inventou o jogo do contente, que
consiste em arranjar um motivo para ser feliz em qualquer situação, inclusive
quando se ganha muletas no natal. O fato é que Pollyanna não precisava das
muletas, tinha pernas saudáveis que poderiam levá-la onde ela quisesse e, por
isso, ela poderia ficar contente. Desde então, Pollyanna jogou o jogo sem
parar, até mesmo quando perdeu o seu maior parceiro da brincadeira, seu pai.
Porém, não é só a vida de
tia Polly, que Pollyanna modifica. E, essa, para mim, é a maior lição que o
livro passa. A menina vira a cidadezinha de cabeça para baixo, transformando as
vidas de quem cruza com ela. Nancy, Mrs. Snow, Milly, Mr. Pendleton, Jimmy e
até o pastor da igreja da cidade são transformados pela menina. Ninguém passa
imune aos encantos de Pollyanna. Muito mais que otimismo, a menina distribui
amor. Pollyanna é atenciosa com todos, qualquer um é merecedor de sua atenção e
dedicação. A menina move mundos e fundos para fazer com que quem esteja ao seu
redor esteja e seja feliz. Mesmo nos mais difíceis casos, Pollyanna consegue
encontrar motivo para as pessoas sorrirem.
Além disso, quando passa
por seu momento difícil, quando é atropelada e paira no ar a possibilidade da
menina nunca mais andar, Pollyanna começa a colher todos os frutos que plantou.
Praticamente toda a cidade, inclusive histórias das quais não sabemos durante a
narrativa, aparece para fazer o pequeno anjo feliz. Tantas histórias e tantos
motivos surgem para alegrar a menina, que nos emocionamos com todo o amor que
ela recebe de volta. E isso é o que de mais precioso o livro nos passa, que
podemos ser boas influências uns para os outros, que temos o poder de modificar
para melhor a vida de quem está do lado, que, sim, dá para mudar para mudar o
mundo ou, pelo menos, parte dele.
Em resumo, Pollyanna é aquele tipo de livro que te
renova as esperanças. E embora seja incrível ler livros como Crime e Castigo, Morro dos Ventos Uivantes ou 1984,
que nos tiram fora da caixinha e retratam o ser humano de forma crua, nos
revelando nosso pior lado, ler livros como Pollyanna
dá ao leitor um momento para respirar depois de leituras pesadas. Fazem-nos
enxergar o outro lado da moeda, nos lembram que apesar de todo o atraso moral
da humanidade, ainda podemos ser bons, ainda temos a capacidade de espalhar
amor e ainda nos é permitido ter a esperança de que um dia teremos um mundo
diferente. Leia Pollyanna! Atualize
as boas energias dentro do peito

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