domingo, 25 de março de 2018

Cheguei bem a tempo de ver o palco desabar e como dizia Chico Science: um passo a frente e você não está mais no mesmo lugar

FICHA TÉCNICA



Título: Cheguei bem a tempo de ver o palco desabar
Autor: Ricardo Alexandre
Editora: Arquipélago
Ano: 2013
Ilustração da capa: Fabio Cobiaco
Nº de Páginas: 219
Livro Digital



CLASSIFICAÇÃO ANSIOSA: ❤❤❤❤


ATENÇÃO!: Pode conter spoilers.

“O rock é conflito – de gerações, classes, etnias, preferências sexuais, estilo de vida. Por isso o rock nunca foi fenômeno de massa no Brasil. (...) Nasceu da revolta de caipiras americanos, brancos e negros, contra as regras da roça e as leis do pastor, pela liberdade carnal, material, existencial. O diabo é literalmente o pai do rock”

   Com uma nova abertura política, com uma economia descontrolada e com todos os anseios de praxe dos 20 e poucos anos, os corpos dos jovens brasileiros dos anos 90 pediam mais: queriam cumprir as promessas de Raul e satisfazer os anseios de Cazuza. Influenciados pelos gigantes do rock ocidental e com um tempero todo nosso, a última década do século XX foi testemunha de uma explosão de criações autorais e ideologicamente fortes brasileira. Era o nosso coco, maracatu, baião, cavalo-marinho...combinado com os sons pesados das guitarras.

   “Olhando em retrospecto, na média, vejo que eram tempos muito criativos e destemidos”

   Sendo a juventude a fase em que a música começa a fazer sentido na vida das pessoas, bem na época da busca de sentido para suas vidas, a música pode parecer ingênua, mas faz uma enorme diferença. Cheguei bem a tempo de ver o palco desabar é um diário aberto de tempos fundamentalmente regidos pelo aforismo liberdade. Encharcado de muito amor, carinho, saudade e honestidade, Ricardo Alexandre revela, como atuante e observador, a cena do rock de 1993 a 2008 por trás dos banners e dos holofotes. Longe de ter um caráter de curadoria, é um livro sobre a realidade do rock: as dificuldades das bandas, a aceitação/rejeição do público, a ação do complexo industrial-musical, o jornalismo, as incertezas, os sucessos, os fracassos e o poder que a moeda ouro exerceu sobre tudo isso (inclusive nos artistas). Um deleite para os subvintes.

  “Hoje vejo que era eu que estava perdendo o bonde da história, preso a certos paradigmas que não faziam mais sentido (...)”

   Das letras que traduziam a fé num novo país - por fome de formação de uma identidade totalmente nacional - a uma postura do rock, já no fim dos anos 90, que se apresentava através de piercings, tatuagens e maquiagens – uma embalagem chocante para um líquido ralo.

   “Só que o rock é autossabotador em sua essência, porque luta tanto contra o sistema que, um belo dia, ele próprio se torna o sistema”

O aspecto idealista, provocador e transformador do rock alçado na fé de um novo Brasil, refletido nas letras – potencialmente questionadoras - e num afloramento de uma personalidade musical 100% brasileira – numa mistura de lia de Itamaracá com tudo que é pesado e metálico –, ao assoalho instável proporcionado pela internet - com seus bilhões de usuários umbigocêntricos -, é de uma riqueza não só para ser apreciada por um megafã saudosista, mas revela, acima de tudo, as fragilidades do próprio movimento. O que começa com o manifesto Caranguejos com Cérebro, termina com Falcão reclamando que Yuka, ex-baterista da banda, estava trazendo uma carga social grande demais a imagem do grupo (!).

   Ainda longe de ser só um frio relato de toda a cena em si, a reflexão de Ricardo vai mais além, mostra a mudança (inevitável) geracional influenciada pela máquina motriz da internet, que aflorou um ego humano capaz de mudar o padrão de comportamento das relações interpessoais, a qual também é refletida (claro) na música. Levando-nos a inevitável pergunta: por que as guitarras pararam de gritar?

  “Porque a capacidade de amar a música é infinitamente mais valiosa do que a de raciocinar sobre ela – até mesmo do que o dom de tocar um instrumento.”

   Por fim, sem dúvida, sem nunca perder a esperança na música, os anos 90 foram tempos regidos pelas leis do acaso embalados ao som das guitarras.

Viva  o Rock'n'Roll!

   E vocês, o que acham desse universo? Comenta aí ;) 

domingo, 18 de março de 2018

O Diário de Anne Frank e uma Memória que Jamais Morrerá

FICHA TÉCNICA



Título: O Diário de Anne Frank
Autor: Anne Frank
Tradutor: Alves Calado
Editora: Record
Ano: 2015
Edição: 47ª edição
Nº de Páginas: 352
Livro Físico



CLASSIFICAÇÃO ANSIOSA: ❤❤❤❤❤


Querida Kitty,


"O papel é mais paciente que as pessoas", você se lembra disto? Era o que uma antiga correspondente sua costumava escrever. Lembra dela? Sim, ela mesma, nossa pequena Anne. Já faz um bom tempo, não é? Mas você ainda deve lembrar, Anne é aquele tipo de pessoa impossível de esquecer. Além do mais, você era a única correspondente da Anne naqueles dois anos difíceis. Você era a única pessoa com quem a Anne poderia contar e a quem ela poderia contar tudo. Com você, Kitty, a Anne podia ser ela mesma. E que sorte a sua, hein?! Conhecer uma pessoa tão especial como a pequena Anne, assim, tão bem como você a conheceu é como tirar um prêmio na loteria.

Kitty, você deve recordar que nem sempre as cartas da nossa Anne eram alegres. Mas, em sua memória, ainda deve estar gravado que em nenhuma delas faltava esperança. Essa esperança que era tão firme, tão forte no coração da Anne, apesar de tudo... Chegava até ser sobrenatural... Foram tempos sombrios aqueles, em que nem os mais pessimistas dos homens poderiam prever quão longe a violência e a maldade humanas poderiam chegar, o quão inimagináveis elas poderiam ser. Foi uma época de tanta dor, que, até hoje, mesmo quem nada daquilo viveu sente as feridas na alma. 

Kitty, me entristeço em ter que te contar que a pequena Anne não foi poupada de toda essa maldade. Não foi possível salvá-la, apesar de toda a luta, de todo o esforço... Entretanto, fico contente em afirmar que ela sobreviveu a tudo aquilo. A Anne que queria viver para sempre, que queria mudar o mundo e ser uma grande escritora conseguiu a proeza de realizar todos os seus sonhos da vida. A Anne vive hoje através das cartas a você, através do diário e dos pensamentos eternizados no papel. E que pensamentos, hein? Chega a ser um tapa na cara que a pequena Anne com seus 14, 15 anos tenha mais maturidade do que eu aos 24, quase 25. Uma Anne que sabia lidar com as limitações, que aprendia com o sofrimento, que via beleza em um céu estrelado mesmo com tanta dor e tristeza por todo lado. Uma Anne a frente do seu tempo, que se conscientizava das desigualdades entre homens e mulheres, e que queria muito mais do que o mundo costumava a nos oferecer. Aliás, que grande mulher teria sido a nossa pequena Anne se tivesse tido a oportunidade de ser!



Kitty, é com uma felicidade imensa que te conto que a Anne vive! A Anne vive em mim, em meu coração e nos milhares de corações que ao longo das últimas décadas vêm lendo as suas correspondências. Os sonhos da Anne jamais morrerão. Eles representam todas as vozes e todos os rostos, dos quais jamais saberemos os nomes, que foram perdidos naqueles tempos de dor. A pequena Anne, para sempre, será seus rostos e suas vozes. E à esperança de Anne, juntemos a nossa de que esse mundo algum dia será um bom lugar para todas as nossas crianças, que infelizmente ainda sofrem as mesmas dores que nossa Anne sofreu, mas sem nunca perderem a pureza e a esperança.

A Anne vive, Kitty. E é isso o que importa.


Sua Polly.
26.06.2017


PS.: Este texto foi escrito assim que terminei de ler e digerir tudo o que havia neste livro. É triste pensar que apesar de todo o esforço daquelas pessoas, apenas uma conseguiu sobreviver a toda aquela tragédia. Mas, fico eternamente feliz e grata que a Anne nos tenha deixado pensamentos tão maravilhosos para sempre nos lembrar de que a guerra não é solução para coisa alguma. Pelo contrário, ela só traz sofrimento e dor. É imensamente desolador pensar que crianças ainda vivem a mesma realidade que a Anne viveu, mesmo depois de tanto tempo. Mas, como falado em minha "carta à Kitty", tenhamos esperança e trabalhemos para paz para que esse mundo um dia seja um lugar digno para nossas crianças viverem. E, nunca, jamais, deixemos as memórias da Anne morrer!

domingo, 11 de março de 2018

A Ira dos Anjos e a Força do Recomeço

FICHA TÉCNICA                                

Título: A Ira dos Anjos
Autor: Sidney Sheldon
Tradutor: A B Pinheiro de Lemos
Editora: Record
Ano: 2011
Nº de Páginas: 560

Livro Virtual


CLASSIFICAÇÃO ANSIOSA: ❤❤❤❤❤



Mil coisas podem passar em nossas cabeças ao ler esse título intrigante e sugestivo. Mas o que seria a ira dos anjos afinal? A experiência que se vive ao completar cada linha desse livro ratifica que a ira dos anjos pode estar mais perto do que se imagina. Que a vida de todos nós está à mercê do livre arbítrio de todos os anjos da face da terra.

Sidney Sheldon nos apresenta uma narrativa cheia de vida. Essa de todos nós. Endossada por medo, dor, coragem, força e muita superação. O autor desenvolve com maestria uma narrativa que deixam os olhos sempre arregalados e que a proximidade com a realidade não decepciona, mas fortalece. O seu primeiro parágrafo já dá uma pista de como não há nada mais que se tire o fôlego do que a própria vida real:

“Os caçadores preparavam-se para a matança. Há dois mil anos atrás, em Roma, o torneio teria decorrido no Circo de Nero ou no Coliseu, onde leões vorazes teriam se aproximado silenciosamente da vítima, numa arena de sangue e de areia, ansiosos por a despedaçarem. Mas agora se estava no civilizado século vinte, e o circo era o Edifício do Tribunal Criminal do Centro de Manhattan, Sala de Audiências número dezesseis.”

A narrativa se passa em torno da vida de uma mulher, Jennifer Parker, que logo após se tornar advogada e conseguir um emprego de assistente do promotor distrital Robert Di Silva, do distrito de Manhattan, leva uma rasteira inesperada do destino, dessas que tiram o chão e o fôlego de qualquer um. Ameaçada de ser expulsa da ordem dos advogados por um crime que não cometeu, a jovem se vê impotente diante da possibilidade de dissolução do seu sonho e de seu pai, já falecido. Tudo vai de incerto a mal até Adam Warner, um promissor advogado que está aspirando ao cargo de senador, ser incumbido de promover a cassação dos direitos profissionais da jovem. Porém, Warner vê nos olhos de Jennifer a sinceridade da inocência e a ajuda mantendo-a integrante à Ordem. Contudo, a essa altura Jennifer já tem sua reputação totalmente manchada e se ver advogando parece algo totalmente improvável.

Jennifer sai do fundo do poço à proprietária de um escritório de advocacia com seu nome na porta de forma inspiradora! Os detalhes de cada ascensão, os sentimentos de desespero e de redenção que tentam dominá-la, e a esperança, que é moradora convicta de seus pensamentos, fazem de Jennifer Parker um ser humano espetacular.

A sensação que se tem ao ler o livro é de estar navegando numa onda: horas na crista, horas no vale. Assim como a vida, em seus autos e baixos. Entre ações judiciais ganhadas com maestria, alegrias, paixões e amores, Parker é o espelho de todos nós que temos que viver com nossos anjos e demônios. Não há vítima nem vilão, há vida, há a força propulsora responsável por colocarmos os pés no chão diariamente e começar mais uma vez.

E não são só os livros que nos fazem viajar e refletir, né? Essa temática também pode ser revivida através das palavras de Flaira ferro na música A novidade ao lado, promovendo uma prazerosa reflexão. Algumas estrofes:

É um filho antes da hora
A morte não esperada
O amor que vai embora
A mãe que não entende

É a amizade desfeita
A dor do julgamento
A decepção
A novidade ao lado
(...)
A vida não para de dar sinais
Revela o espaço do outro passo
Aquilo que agora está perdido
É a chave de entrada da porta seguinte

Até a desordem que tira do eixo
É o chão do equilíbrio que logo virá
E toda angústia que sinto no peito
Fecha meus olhos para assim enxergar
(...)
O corpo vicia na facilidade
E poupa o esforço que não quer fazer
Sentado acredita que achou a verdade
E ela, tão bela, o obriga a correr


Flaira Ferro (A novidade ao lado)

Link da música no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=ulj1IX_5wQc

O que você achou? Põe nos comentários ;)  :*

domingo, 4 de março de 2018

Um Gato de Rua Chamado Bob e o Poder de Transformação do Amor

FICHA TÉCNICA                                

Título: Um Gato de Rua Chamado Bob

Autor: James Bowen
Tradutor: Ronaldo Luiz da Silva
Editora: Novo Conceito
Ano: 2013
Nº de Páginas: 237
Livro Físico



CLASSIFICAÇÃO ANSIOSA: ❤❤❤❤❤


Para uma gateira de carteirinha como eu, falar que Um Gato de Rua Chamado Bob é um livro maravilhoso chega a ser até suspeito. São cinco gatos aqui em casa (quatro oficiais e um para adoção) e minha “experiência felina”, apesar de ainda curta, é bastante vasta. Sabe aquela frase de “cada canto tem um gato”? Pois é, é bem isso aqui em casa. E, sinceramente, não mais imagino outra vida pra gente. Animais, de uma forma geral, têm o poder de transformar (pra melhor!) nossas vidas e é sobre esse poder de transformação que trata este livro.

James resume isso logo no trecho inicial do livro:

“Deram-me um monte de oportunidades, às vezes a cada dia. Por um longo tempo, falhei em não agarrar nenhuma delas, mas depois, no início da primavera de 2007, isso finalmente começou a mudar. Foi quando fiz amizade com Bob. Olhando para trás, algo me diz que aquela pode ter sido a segunda chance dele também.” (p. 9)

Um Gato de Rua Chamado Bob é essencialmente sobre segundas chances: a segunda chance do Bob e, sobretudo, uma das muitas do James.

Quando encontrou Bob em um dos andares do seu prédio, James não imaginava o quanto sua vida mudaria por causa daquele gato laranja. Naquela ocasião, Bob não estava em um de seus melhores momentos. Apresentava um ferimento, que já estava infeccionando. Se algo não fosse feito com urgência, Bob não tinha muitas chances. Então, prontamente James se comprometeu com a causa de salvar Bob daquela situação, sem ao menos desconfiar que quem iria ser salvo na verdade era ele mesmo.

James já tinha vivido nas ruas de Londres e havia passado por muitos perrengues até então, algo que ele e Bob tinham em comum e que, talvez, tenha sido um fato determinante para que eles se tornassem tão inseparáveis. Eles se reconheciam um no outro. Para tratar do Bob, James o leva em uma espécie de “centro veterinário comunitário” e, com muito carinho e cuidado, o laranjinha se recupera bem rápido.  A princípio, a ideia de James era tratar do gato e o deixar seguir seu destino, mas essa não foi a vontade do Bob. O laranjinha sabia que o James precisava de ajuda, simplesmente não podia deixá-lo.

 Naquele tempo, James era um viciado em heroína em recuperação. Para se sustentar, tocava guitarra em frente ao metrô de Covent Garden, no centro de Londres. Os trocados que conseguia mal dava para ele próprio e, agora, ele tinha uma outra boca para sustentar. Mas o que James não esperava era que Bob o ajudaria nessa missão. Certo dia, Bob decide ir atrás do James enquanto ele vai trabalhar. Por mais incrível que pareça, Bob pega ônibus e anda pelo centro borbulhante de Londres como se essa fosse a coisa mais comum do mundo (se você não acredita nisso, assiste esse vídeo aqui).

Quando chegam ao local em que o James costuma tocar, logo o Bob vira sensação. Afinal, não é todo dia que a gente vê um homem cabeludo com um gato laranja lhe fazendo companhia. Eles são o sucesso do lugar e os rendimentos do James duplicam, triplicam de valor. Entretanto, o dinheiro não foi a coisa mais importante que o Bob “deu” ao James. Na verdade, isso era insignificante para James. O que mais de valioso o guitarrista ganhou do seu novo amigo foi a devolução de sua identidade. James, por ter vivido nas ruas e viver das ruas, havia virado uma espécie de ninguém.

“Não é fácil quando você está trabalhando nas ruas. As pessoas não querem lhe dar uma chance. Antes de eu ter Bob, se tentasse me aproximar das pessoas nos bares com minha guitarra no peito, elas diriam ‘não, lamento’ antes mesmo que eu tivesse a oportunidade de dizer olá. Poderia estar simplesmente perguntando as horas. Mas elas me diziam: ‘Estou sem trocado, desculpe’, antes que eu abrisse a boca. Isso acontecia o tempo todo. Elas nem sequer me davam a oportunidade.” (p. 83)

Com Bob, as pessoas o olham novamente. Bob faz James “ser uma pessoa” outra vez. Vê só esse trecho que emocionante:

“Ver-me com meu gato suavizou-me aos olhos das pessoas. Ele me humanizou. Especialmente depois de eu ter sido tão desumanizado. De certa forma, ele estava devolvendo minha identidade. Eu tinha sido uma não pessoa; e estava me tornando uma pessoa novamente.” (p. 84)

E assim, de emoção em emoção, vamos vendo o dia-a-dia desses dois. Os contratempos, as alegrias, as mudanças. Não tem como não se apaixonar por essa história. Mas, se me pedissem para eleger a passagem mais tocante do livro, com certeza, eu diria que foi o momento da abstinência do James. Ele já não usava heroína há meses, mas o James ainda tomava uma forte medicação para suportar a privação da droga. Conviver com Bob o fez tomar a mais importante das decisões de sua vida: ele queria ficar completamente limpo. Entretanto, a fase da abstinência é tão dura quanto decisiva. James precisa suportar três dias de alucinações e de sintomas psicossomáticos para evoluir no tratamento. Mas, agora, o James tinha o Bob e o laranjinha não o deixa na mão. James supera tudo com o auxílio do Bob.

“Era como se ele soubesse o que eu estava sentindo. Algumas vezes, enquanto eu cochilava, ele se aproximava de mim e colocava o rosto perto do meu, como se dissesse: ‘Tudo bem aí, companheiro? Estou aqui se precisar de mim’. Em outros momentos, ele simplesmente sentava-se comigo, ronronando, esfregando a cauda em mim e lambendo meu rosto de vez em quando. Enquanto eu deslizava para dentro e para fora de um universo estranho, alucinatório, ele era a minha âncora na realidade.”

No entanto, o que eu queria destacar mesmo do livro é a responsabilidade que o James tem com o Bob. Uma responsabilidade que não vejo em pessoas “normais” por aí. Uma das primeiras medidas do James é castrar o laranjinha, e isto é um verdadeiro ato de amor. Pois, animais castrados não reproduzem mais animais que serão abandonados nas ruas. E além disso, a castração aumenta a expectativa e a qualidade de vida dos bichinhos. E fica aqui meu apelo: se você decidir adotar um pet, tenha como prioridade castrá-lo. Desta forma, você evita o abandono e, sobretudo, o sofrimento de muitos seres inocentes. E dê preferência a resgatar animais de abrigos, ONG’s ou até mesmo das ruas. Afinal, amigo a gente não compra, não é?

Se eu recomendo o livro? Só recomendo! E você? O que achou?


Pollyanna e nossa influência uns sobre os outros

Título:  Pollyanna |  Autor:  Eleanor H. Porter |  Tradutor:  Monteiro Lobato |  Editora:  Companhia Editora Nacional |  Ano:  1985 | ...