Título: O Diário de Anne Frank
Autor: Anne Frank
Tradutor: Alves Calado
Editora: Record
Ano: 2015
Edição: 47ª edição
Nº de Páginas: 352
Livro Físico
CLASSIFICAÇÃO ANSIOSA: ❤❤❤❤❤
Querida Kitty,
"O papel é mais paciente que as pessoas",
você se lembra disto? Era o que uma antiga correspondente sua costumava
escrever. Lembra dela? Sim, ela mesma, nossa pequena Anne. Já faz um bom tempo,
não é? Mas você ainda deve lembrar, Anne é aquele tipo de pessoa impossível de
esquecer. Além do mais, você era a única correspondente da Anne naqueles dois anos difíceis. Você era a única pessoa com quem a Anne poderia contar e a quem ela poderia contar
tudo. Com você, Kitty, a Anne podia ser ela mesma. E que sorte a sua, hein?! Conhecer uma pessoa tão especial como a pequena Anne,
assim, tão bem como você a conheceu é como tirar um prêmio na loteria.
Kitty, você deve recordar que nem sempre as cartas da
nossa Anne eram alegres. Mas, em sua memória, ainda deve estar gravado
que em nenhuma delas faltava esperança. Essa esperança que era tão firme, tão
forte no coração da Anne, apesar de tudo... Chegava até ser sobrenatural... Foram
tempos sombrios aqueles, em que nem os mais pessimistas dos homens poderiam
prever quão longe a violência e a maldade humanas poderiam chegar, o quão
inimagináveis elas poderiam ser. Foi uma época de tanta dor, que, até hoje,
mesmo quem nada daquilo viveu sente as feridas na alma.
Kitty, me entristeço em ter que te contar que a
pequena Anne não foi poupada de toda essa maldade. Não foi possível salvá-la,
apesar de toda a luta, de todo o esforço... Entretanto, fico contente em
afirmar que ela sobreviveu a tudo aquilo. A Anne que queria viver para sempre, que
queria mudar o mundo e ser uma grande escritora conseguiu a proeza de realizar
todos os seus sonhos da vida. A Anne vive hoje através das cartas a você,
através do diário e dos pensamentos eternizados no papel. E que pensamentos,
hein? Chega a ser um tapa na cara que a pequena Anne com seus 14, 15 anos tenha
mais maturidade do que eu aos 24, quase 25. Uma Anne que sabia lidar com as
limitações, que aprendia com o sofrimento, que via beleza em um céu estrelado
mesmo com tanta dor e tristeza por todo lado. Uma Anne a frente do seu tempo,
que se conscientizava das desigualdades entre homens e mulheres, e que queria
muito mais do que o mundo costumava a nos oferecer. Aliás, que grande mulher
teria sido a nossa pequena Anne se tivesse tido a oportunidade de ser!
Kitty, é com uma felicidade imensa que te conto que
a Anne vive! A Anne vive em mim, em meu coração e nos milhares de corações que
ao longo das últimas décadas vêm lendo as suas correspondências. Os sonhos da
Anne jamais morrerão. Eles representam todas as vozes e todos os rostos, dos
quais jamais saberemos os nomes, que foram perdidos naqueles tempos de dor. A
pequena Anne, para sempre, será seus rostos e suas vozes. E à esperança de
Anne, juntemos a nossa de que esse mundo algum dia será um bom lugar para
todas as nossas crianças, que infelizmente ainda sofrem as mesmas dores que
nossa Anne sofreu, mas sem nunca perderem a pureza e a esperança.
A Anne vive, Kitty. E é isso o que importa.
Sua Polly.
26.06.2017
PS.: Este texto foi escrito assim que terminei de ler e digerir tudo o que havia neste livro. É triste pensar que apesar de todo o esforço daquelas pessoas, apenas uma conseguiu sobreviver a toda aquela tragédia. Mas, fico eternamente feliz e grata que a Anne nos tenha deixado pensamentos tão maravilhosos para sempre nos lembrar de que a guerra não é solução para coisa alguma. Pelo contrário, ela só traz sofrimento e dor. É imensamente desolador pensar que crianças ainda vivem a mesma realidade que a Anne viveu, mesmo depois de tanto tempo. Mas, como falado em minha "carta à Kitty", tenhamos esperança e trabalhemos para paz para que esse mundo um dia seja um lugar digno para nossas crianças viverem. E, nunca, jamais, deixemos as memórias da Anne morrer!


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